Quando desistir não era uma opção: Ariane Tonet supera lesão, vence o medo e completa uma maratona inesquecível em Florianópolis

Algumas conquistas são medidas pelo tempo no relógio. Outras, pela distância percorrida. Mas existem aquelas que não cabem em números. A conquista de Ariane Tonet, atleta mourãoense que completou neste domingo os 42 quilômetros da Maratona Internacional de Floripa, em Florianópolis, é uma delas. A chegada na Beira-Mar Norte foi emocionante, mas a verdadeira maratona havia começado muito antes da largada. Faltando apenas 40 dias para a prova, quando a preparação entrava em uma fase decisiva, Ariane sofreu uma lesão no tendão esquerdo. Uma semana depois, o problema também apareceu no lado direito.


O sonho de completar os 42 quilômetros esteve ameaçado. Vieram dias de medo, tristeza e incerteza. Momentos em que a atleta chegou a acreditar que talvez não conseguisse estar na largada. Mas, mesmo diante de um cenário tão difícil, desistir não foi uma opção.Ariane buscou forças na fisioterapia, no acompanhamento de profissionais, na ciência, na tecnologia e, principalmente, no apoio das pessoas que estiveram ao seu lado durante todo o processo.


A atleta conta que gostaria de ter iniciado sua preparação em fevereiro, mas só conseguiu começar em maio. O ciclo de treinamento não saiu como planejado e acabou sendo ainda mais complicado com as lesões. “Não foi como eu queria. Eu queria ter iniciado a preparação em fevereiro, mas só comecei em maio e infelizmente me lesionei. Tendão esquerdo e depois de uma semana o direito. Não fui feliz no ciclo”, relatou Ariane ao Resenha CM.


Mesmo assim, ela decidiu lutar contra as adversidades. Foram dias de recuperação e muita dedicação. Ariane destacou a importância da equipe da 4Moove, além da Dra. Patrícia Brois e do Dr. Rodolfo, que contribuíram para sua recuperação com fisioterapia, regeneração e câmara hiperbárica.
Foi uma verdadeira união de esforços para que ela pudesse novamente confiar no próprio corpo.“Machucar 40 dias antes é quase pedir para desistir. Mas, com muita maturidade e resiliência, fisioterapia e uma equipe imensa para me ajudar, eu consegui ajustar a máquina para conseguir correr”, contou. E então veio uma das frases mais marcantes de sua história:“Nem eu acreditava em mim mais que Deus acreditou.”
Na manhã deste domingo, Ariane finalmente estava onde queria estar: na largada.O desafio era enorme. Além da preocupação natural com a lesão, a prova apresentou chuva, muitas subidas e os obstáculos característicos de uma maratona.Ainda assim, a temperatura agradável, próxima dos 18 graus, e o incentivo do público ajudaram a tornar o percurso ainda mais especial.


Ariane tinha das 5h10 às 11h10 para concluir a prova. E, mesmo sem saber exatamente como seu corpo responderia depois de tudo o que havia enfrentado, seguiu em frente.No quilômetro 32, sentiu novamente o tendão. Precisou caminhar por alguns momentos, mas percebeu que não havia dor e decidiu continuar.
Os quilômetros finais, que poderiam representar apenas sofrimento, acabaram se transformando em uma celebração.Do quilômetro 36 ao 42, Ariane viveu momentos que certamente ficarão guardados para sempre. Fez novas amizades, incentivou outros corredores e também recebeu estímulos pelo caminho.Até uma dose de cafeína no quilômetro 36 ajudou a transformar o clima.“Ali eu estava hiperativa, dei muita risada e curti”, brincou.


Mas foi no quilômetro 40 que toda a emoção veio à tona.Ariane começou a chorar.Era impossível não lembrar de tudo o que havia acontecido nas semanas anteriores. Os dias em que se sentiu impotente. A tristeza. O medo de não conseguir. As sessões de fisioterapia. O esforço para recuperar o corpo. A ajuda de tantas pessoas.
E, finalmente, ela estava ali.A poucos quilômetros da linha de chegada.Durante a prova, ainda viveu um daqueles momentos que tornam o esporte tão especial. Uma corredora que havia terminado a maratona voltou para buscá-la e acompanhá-la nos metros finais.Um gesto simples, mas que tornou aquele momento ainda mais inesquecível.


Ariane completou os 42 quilômetros com pace médio de 6min36s/km, cruzando a linha de chegada por volta das 9h40.Mais do que o número registrado no relógio, aquele tempo representava uma vitória pessoal.A própria atleta resumiu o sentimento de maneira clara:“A superação começou 40 dias atrás.”
E talvez seja justamente essa a essência da história.A maratona não começou na largada em Florianópolis. Começou quando uma lesão ameaçou destruir um sonho e Ariane precisou encontrar forças para continuar acreditando.Foram aproximadamente 15 dias de muita tristeza e dúvidas, mas a recuperação evoluiu melhor do que o esperado graças ao trabalho de profissionais, à ciência, à tecnologia e ao apoio de pessoas importantes em sua caminhada.


Ao cruzar a linha de chegada, Ariane não conquistou apenas uma medalha.Conquistou a certeza de que foi capaz de enfrentar um dos momentos mais difíceis de sua preparação e transformar a dúvida em realização.
A medalha foi dedicada aos seus pais, que durante todo o processo deram a ela uma mensagem simples e poderosa: ir para a prova, aproveitar, se divertir e, se conseguisse terminar, comemorar. Se não conseguisse, tudo bem.


Também houve um agradecimento especial ao companheiro, Guilherme Oliveira, pelo apoio durante as últimas semanas, marcadas por tristeza, ansiedade e muitas mudanças emocionais.
E, acima de tudo, Ariane dedicou sua conquista a Deus.“Primeiro gostaria de agradecer a Deus por acreditar mais em mim do que eu mesma. Você sabe de tudo, Papai do Céu. Obrigada por existir em minha vida.”
A história de Ariane Tonet mostra que algumas das maiores vitórias acontecem antes mesmo de o atleta entrar em competição.Acontecem quando é preciso levantar depois de uma dificuldade.Quando o medo aparece e, mesmo assim, a pessoa decide continuar.Quando o corpo impõe limites, mas a determinação encontra novos caminhos.


Quando o sonho parece distante, mas a fé e o apoio de quem está ao lado ajudam a reconstruí-lo.Em Florianópolis, Ariane percorreu 42 quilômetros.Mas, na verdade, ela percorreu uma distância muito maior.Venceu a lesão, venceu o medo, venceu a dúvida e chegou ao fim.
E quando cruzou aquela linha de chegada emocionada, chorando no quilômetro 40 e carregando consigo todas as histórias das últimas semanas, não estava apenas completando uma maratona.Estava celebrando a própria superação.
Porque, para Ariane Tonet, quando desistir não era uma opção, continuar foi a maior vitória.

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