NAC de Campo Mourão apresenta novo escudo e abre um novo capítulo de sua história

Há momentos em que um clube de futebol percebe que chegou a hora de olhar para a própria história, respeitar suas origens e, ao mesmo tempo, afirmar aquilo que deseja construir para o futuro. É exatamente esse sentimento que envolve o Nacional Atlético Clube (NAC) de Campo Mourão, que acaba de apresentar uma nova identidade visual, com um escudo moderno, bonito e carregado de significado.

Fundado em 1947, em Rolândia, o Nacional construiu ao longo dos anos uma trajetória marcada por jogos, gols, personagens e histórias que fazem parte do futebol paranaense. Em 2024, porém, o clube iniciou uma nova etapa ao transferir sua estrutura para Campo Mourão, encontrando na cidade empresários apaixonados pelo futebol e pelo esporte dispostos a acreditar no projeto.

A mudança trouxe consigo um novo desafio: transformar o NAC em um clube verdadeiramente mourãoense.E, dois anos depois da chegada à cidade, o novo escudo surge justamente como um símbolo dessa transformação.

Em entrevista ao Resenha CM, o diretor  Anderson Potrik explicou que a mudança de identidade vinha sendo construída há algum tempo e está diretamente ligada ao processo de reformulação do clube.Segundo ele, a intenção não é apagar a história construída pelo Nacional antes da chegada a Campo Mourão, mas estabelecer uma separação clara entre aquela trajetória e o novo momento vivido pelo clube.

A ideia é simples e, ao mesmo tempo, profunda: o NAC agora quer carregar Campo Mourão no peito.O novo escudo passa a representar essa identidade. NAC, iniciais de Nacional Atlético Clube, será a maneira pela qual o clube pretende ser reconhecido daqui para frente, fortalecendo a ligação com a cidade que recebeu o projeto e onde estão sendo construídas suas novas raízes.“Não apaga a história, mas desvincula totalmente a imagem do clube antigo e cria uma nova imagem para o Nacional pós-2024”, explicou Potrik.É uma mudança que vai além do desenho de um escudo. É uma declaração de pertencimento.

Desde a chegada a Campo Mourão, o clube encontrou algo que nenhum planejamento empresarial consegue fabricar: o carinho do torcedor.Os estádios passaram a receber um público que comprou a ideia de ter novamente um time para chamar de seu. A cada partida, a presença das famílias, dos apaixonados por futebol e daqueles que carregam na memória os grandes domingos de futebol da cidade reforça a sensação de que o NAC está construindo uma relação verdadeira com Campo Mourão.

Para Anderson Potrik, essa paixão não nasceu agora. Ela sempre esteve presente no DNA do mourãoense.O presidente lembra dos tempos do Estádio Roberto Brzezinski, quando, mesmo diante de condições muito diferentes das atuais, o torcedor comparecia em grande número. Sol forte, estrutura limitada e dificuldades não eram suficientes para afastar o público.Havia jogo? O mourãoense queria estar no estádio.

Potrik acredita que o que faltava era justamente um projeto capaz de representar novamente esse sentimento.E o NAC tenta ocupar esse espaço. “Nem sempre o melhor vence”, lembra o presidente, citando inclusive a histórica Seleção Brasileira de 1982, que encantou o mundo, mas não conquistou a Copa. Para ele, o futebol precisa ser compreendido como espetáculo, dentro e fora de campo.Por isso, o compromisso é melhorar a experiência do torcedor a cada temporada.

Por trás das quatro linhas existe outra história sendo construída: a da gestão do clube.Anderson Potrik reconhece que administrar um projeto de futebol é uma experiência nova para parte da equipe. O grupo reúne pessoas com diferentes trajetórias e conhecimentos.De um lado, profissionais com experiência no futebol, como Henrique e Papagaio. Do outro, empresários como o próprio Potrik, Júlio Polato e Rui.

A união dessas experiências criou uma gestão que, segundo o diretor, vem aprendendo diariamente.Potrik, que passou grande parte da vida trabalhando na construção civil, admite que administrar um clube de futebol é um desafio completamente diferente.Mas é justamente essa novidade que também traz motivação.O primeiro período foi de aprendizado, ajustes e construção. E a intenção é que cada temporada represente um passo à frente.

Construir um clube de futebol exige muito mais do que montar uma equipe e entrar em campo.Existe uma estrutura por trás, pessoas, parceiros, profissionais, categorias de base, centro de treinamento e, principalmente, uma responsabilidade financeira enorme.

Potrik é direto ao apontar a principal dificuldade: o futebol precisa de recursos para continuar funcionando.O clube depende de parceiros e patrocinadores e busca também caminhos por meio das leis de incentivo ao esporte e de outros mecanismos que possam contribuir para a sustentabilidade do projeto.Existe, inclusive, um cuidado para que o crescimento aconteça de maneira organizada.Muitas pessoas demonstram interesse em ajudar, mas o presidente explica que cada novo passo precisa ser dado no momento certo, de acordo com as necessidades e a capacidade do clube.É um projeto que precisa crescer sem perder o controle.

Se o novo escudo simboliza o presente, o Centro de Treinamento representa boa parte do futuro.Potrik conta que o CT foi concluído e que o próximo grande objetivo é trabalhar para que o NAC obtenha a certificação de Clube Formador da CBF.

A meta é que, dentro de aproximadamente um ano a um ano e meio, o clube possa conquistar essa chancela.Mais do que um selo na fachada, trata-se de uma visão de futuro.A formação de jovens atletas aparece como um dos principais pilares do projeto. A intenção é criar um ambiente capaz de desenvolver jogadores e, principalmente, oferecer oportunidades para crianças e adolescentes que sonham em transformar o futebol em profissão.Para quem vive o futebol de base, sabe que esse trabalho vai muito além de ensinar passes, dribles e finalizações.É trabalhar com sonhos.

O diretor do NAC tem outros sonhos para o clube.Quer ver a equipe disputando a Primeira Divisão do Campeonato Paranaense. Sonha também com uma participação em uma competição nacional.Mas, quando fala sobre o maior sonho, a resposta muda de tom.Não envolve troféu.Não envolve estádio lotado.Não envolve uma grande contratação.Envolve uma criança.Potrik sonha com o dia em que poderá olhar para um jogador formado dentro do NAC e vê-lo vestindo a camisa de um grande clube do futebol brasileiro.Um menino que chegou ao projeto carregando uma bola, acompanhado pela família, cheio de esperança, e que encontrou no NAC a oportunidade para transformar um sonho em realidade.Esse, para o presidente, seria o momento mais emocionante de toda a caminhada.“Eu acho que vai ser o dia que eu vou chorar.”

Talvez seja justamente aí que esteja a essência do novo NAC.O novo escudo representa uma identidade. O CT representa estrutura. A torcida representa pertencimento. A gestão representa responsabilidade.Mas a base representa esperança.Um novo capítulo, escrito por Campo Mourão

A história do Nacional não começou em Campo Mourão. Mas existe uma nova história sendo escrita aqui.Uma história que respeita 1974, mas olha para frente.Que reconhece o passado, mas quer construir uma identidade própria. Que entende as dificuldades, mas não abre mão dos sonhos.O NAC agora quer ser reconhecido não apenas pelo nome Nacional, mas pelo lugar onde escolheu criar raízes.

E talvez, daqui a alguns anos, quando alguém contar a história desse clube, o novo escudo apresentado agora seja lembrado como o símbolo de uma mudança importante: o momento em que o Nacional deixou de apenas estar em Campo Mourão para começar, definitivamente, a ser de Campo Mourão.

Porque no futebol, uma camisa pode carregar cores, um escudo pode carregar símbolos e um estádio pode carregar memórias.Mas é a paixão das pessoas que transforma um clube em parte da história de uma cidade.E o NAC acaba de dar mais um passo para construir essa história.

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