Da emoção do acesso em Itaipulândia à consolidação entre os grandes do Brasil: uma história construída com trabalho, paixão, desafios e grandes conquistas
Há datas que entram para a história. Para o futsal de Campo Mourão, 29 de outubro de 2016 é uma delas. Naquela noite, no Ginásio de Esportes Irineu Luiz Fredich, em Itaipulândia, começava uma nova era para a Associação Campo Mourão Futsal (ACMF). Em uma partida dramática, emocionante e decidida literalmente nos últimos segundos, o time mourãoense venceu o Itaipulândia por 5 a 4, garantiu o retorno à elite do futsal paranaense e abriu as portas para uma década de crescimento, desafios e conquistas.
O acesso para a Série Ouro de 2017 foi muito mais do que uma classificação. Foi o ponto de partida de um projeto que transformaria o Campo Mourão Futsal em uma das principais forças do futsal do Paraná e em um nome respeitado nacionalmente. A partida em Itaipulândia teve todos os ingredientes de um grande jogo. O ginásio estava lotado. A torcida da casa empurrava o Itaipulândia em uma das maiores mobilizações daquele campeonato. Dentro de quadra, porém, comandados pelo técnico Marcio Rinaldo o Campo Mourão mostrou personalidade para suportar a pressão e lutar até o último segundo.
Vini, Paulinho e Felipinho, duas vezes, marcaram os gols mourãoenses no tempo normal e na prorrogação. Quando tudo indicava que a decisão caminharia para mais um capítulo de tensão, apareceu Carrapicho. Apenas 38 segundos antes do final da prorrogação, o jogador marcou o gol que mudou a história daquela noite. O 5 a 4 provocou uma verdadeira explosão de alegria do lado mourãoense. Para o torcedor de Itaipulândia, foi uma ducha de água fria. Para Campo Mourão, foi o gol do acesso, da festa e do renascimento.
A vitória colocou novamente a ACMF na Série Ouro do Campeonato Paranaense em 2017. Nas semanas seguintes, a equipe ainda disputaria a decisão da Chave Prata de 2016, terminando com o vice-campeonato. Mas o mais importante já havia acontecido: Campo Mourão estava de volta à elite.
O acesso não aconteceu por acaso.Depois de anos marcados por altos e baixos e pela transição da razão social de ADC Tagliari, o futsal mourãoense precisava encontrar um novo caminho. Em 2016, uma nova diretoria assumiu a ACMF com a missão de estruturar o clube e pensar além de uma temporada. Era necessário organizar as finanças, buscar parceiros, fortalecer a gestão e construir um projeto capaz de sobreviver aos desafios do esporte de alto rendimento.
A ideia era simples, mas ambiciosa: transformar o futsal em um projeto sustentável e competitivo. A campanha daquele ano mostrou que o caminho estava começando a dar resultado. E o acesso em Itaipulândia se transformou no primeiro grande capítulo dessa nova história.
A partir de 2017, o Campo Mourão passou a conviver novamente com os principais clubes do futsal paranaense. Mas a ambição era maior. O Carneirão queria crescer, competir e conquistar espaço também no cenário nacional. O grande salto aconteceu em 2019, quando o Campo Mourão estreou na Liga Nacional de Futsal (LNF).
Era a primeira participação do clube na principal competição do futsal brasileiro. E o que poderia ser apenas uma temporada de aprendizado acabou se transformando em uma campanha memorável. No comando do técnico Alemão o Campo Mourão avançou aos playoffs e terminou entre os seis melhores times do Brasil, colocando o nome da cidade em evidência no principal palco do futsal nacional. O Ginásio Belin Carolo passou a receber grandes equipes, grandes jogos e, principalmente, um torcedor que voltou a acreditar que era possível sonhar alto.
A história continuou sendo construída. Em 2020, o Campo Mourão conquistou o título da Liga Paraná, fortalecendo sua presença no cenário estadual. No ano seguinte, em 2021, veio outra marca importante: a estreia na Copa do Brasil de Futsal, ampliando ainda mais o calendário e a experiência do clube em competições nacionais.A cada temporada, o projeto ganhava força. Não eram apenas resultados dentro da quadra. Era a construção de uma identidade.O Campo Mourão passou a ser reconhecido pela capacidade de competir, pela força de sua torcida, pela estruturação do projeto e pela maneira como a cidade abraçou novamente o futsal. No ano de 2021 comandados pelo técnico Sergio Lacerda com uma bela campanha a equipe foi vice-campeão paranaense. Em 2022 a estreia na Taça Brasil e em 2024 na Copa Gramado
Se os anos anteriores foram de construção, 2025 foi a confirmação de que o projeto havia chegado a um novo patamar. Comandado pelo técnico Betinho o Campo Mourão viveu a melhor temporada de sua história até então.O Carneirão chegou à semifinal da Liga Nacional de Futsal, ficando entre os quatro melhores times do país, e também disputou a grande final do Campeonato Paranaense Série Ouro diante do Pato Futsal.
Foi uma temporada que colocou Campo Mourão definitivamente no mapa do futsal brasileiro.A equipe passou a ser respeitada não apenas como uma boa representante paranaense, mas como uma força capaz de enfrentar e superar alguns dos principais clubes do país.
E quando muitos poderiam imaginar que 2025 seria o ponto máximo dessa trajetória, o Campo Mourão mostrou que ainda havia espaço para escrever novas páginas.Em setembro de 2026, veio uma conquista histórica.Na cidade de Xanxerê, comandos pelo técnico Tchelo o Carneirão venceu a Chapecoense por 3 a 1, de virada, e conquistou o bicampeonato da Copa Sul de Futsal.
O título ganhou um significado ainda maior porque repetiu uma conquista que havia acontecido 20 anos antes, em 2006. Duas décadas depois, o Campo Mourão voltou a levantar a taça.Uma coincidência de datas que parece roteiro de filme, mas que é resultado de uma história construída por diferentes gerações de atletas, dirigentes, profissionais, patrocinadores e torcedores.
E a história de 2026 ainda está longe de terminar. Em outubro, comandado pelo téncico Tchelo o Campo Mourão é o único representante do Paraná nas quartas de final da Liga Nacional de Futsal. Depois de eliminar o tradicional Cascavel Futsal, o Carneirão segue vivo na principal competição do país e carrega consigo não apenas o nome de Campo Mourão, mas a bandeira do Paraná. Ao mesmo tempo, a equipe disputa o mata-mata do Campeonato Paranaense Série Ouro. É o resultado de uma década em que o clube deixou de lutar apenas para estar entre os melhores e passou a lutar para conquistar títulos e ocupar um lugar definitivo entre as principais forças do futsal brasileiro.
Dez anos depois daquela noite em Itaipulândia, é impossível olhar para a trajetória da ACMF sem lembrar de todos que ajudaram a construir esse caminho.Atletas que vestiram a camisa.Treinadores que deixaram suas ideias e seu trabalho.Comissões técnicas. Dirigentes que enfrentaram dificuldades e acreditaram no projeto.Profissionais que trabalham longe dos holofotes.Patrocinadores que entenderam a importância de investir no esporte.Poder público e parceiros. E, principalmente, o torcedor.Aquele torcedor que lotou ginásios, viajou, sofreu, comemorou e transformou o Belin Carolo em uma das casas mais respeitadas do futsal paranaense.Porque uma década não é construída apenas com títulos.É construída com pessoas, sonhos, dificuldades, recomeços e persistência.
Em 2016, o objetivo era voltar para a elite do Paraná.Naquela noite, em Itaipulândia, um gol de Carrapicho a 38 segundos do fim da prorrogação colocou o Campo Mourão novamente na Série Ouro.Dez anos depois, o cenário é completamente diferente.O clube já disputou Liga Nacional, Copa do Brasil, conquistou a Liga Paraná, chegou às semifinais da principal competição do país, disputou uma final estadual e voltou a conquistar a Copa Sul.
E agora, em 2026, segue vivo em duas das principais frentes do calendário.A história da ACMF, portanto, não pode ser resumida apenas em números ou troféus.Ela precisa ser contada como a história de um projeto que soube cair, se reorganizar, voltar a crescer e acreditar novamente.Daquela noite de 29 de outubro de 2016 até os grandes palcos do futsal brasileiro, foram dez anos de muito trabalho.
Foto Facebook Campo Mourão Futsal














