Do sonho à conquista! Mourãoense Arthur Souza é campeão brasileiro pelo Sada Cruzeiro e emociona o pai Joel

Talento, dedicação e uma história construída com o esporte dentro de casa. O jovem mourãoense Arthur Souza conquistou o Campeonato Brasileiro Interclubes (CBI) Sub-21 de Voleibol vestindo a camisa do Sada Cruzeiro, um dos grandes clubes da modalidade no Brasil e no mundo. A conquista tem um significado ainda mais especial quando compartilhada com a família, especialmente com o pai, Joel, técnico de voleibol em Campo Mourão, e a mãe, Kassiane, que também é atleta da modalidade.

Diz o ditado que “filho de peixe, peixinho é” ou que “a fruta não cai longe do pé”. Na família de Arthur, o voleibol faz parte da história, da convivência e das conversas do dia a dia. Mas, para além da influência familiar, o jovem vem construindo sua própria trajetória, com muito trabalho, disciplina e o sonho de chegar cada vez mais longe no esporte.Em uma resenha especial, pai e filho compartilharam com o Resenha CM, por Rodrigo Relozi, as emoções de uma conquista que ficará marcada na memória da família. De um lado, Arthur, vivendo a experiência de ser campeão brasileiro por um dos clubes mais tradicionais do voleibol. Do outro, Joel, que acompanha com orgulho a evolução do filho e vê o esporte proporcionar experiências que vão muito além das quadras.

Para Arthur, levantar o troféu brasileiro pelo Sada Cruzeiro foi a recompensa por uma temporada de muito esforço. O atleta destacou que a conquista trouxe uma sensação de alívio diante de todas as dificuldades enfrentadas durante a preparação.“Ser campeão pelo Cruzeiro foi uma sensação de alívio pelo trabalho que a gente teve no decorrer do ano, por todas as dificuldades que passamos, pelas cobranças e por tudo o que enfrentamos. Foi muito gratificante. É a primeira vez que o Sada Cruzeiro Sub-21 conquista o CBI Sub-21, então foi um alívio muito grande para todos nós”, contou.

A realização ganha ainda mais significado quando Arthur lembra de como tudo começou. Aos 14 anos, enquanto dava seus primeiros passos no voleibol, ele acompanhava jogos do Sada Cruzeiro e admirava atletas que se tornaram referências na modalidade. Naquela época, vestir a camisa do clube parecia um sonho distante. Hoje, ele vive essa realidade. “Eu via alguns campeões olímpicos jogando, assistia a jogos antigos e acompanhava o Sada Cruzeiro na Superliga. Pensava: ‘Pô, que legal, deve ser muito bom estar lá’. E acabou acontecendo. Poder treinar com as categorias de base, ter a oportunidade de participar de treinos com a equipe adulta e ver de perto atletas como Lucão e outros grandes jogadores foi maravilhoso”, relembrou.

A experiência de atuar em um clube desse tamanho também representa aprendizado diário, tanto dentro quanto fora de quadra. Para Arthur, ter o pai como técnico de voleibol é uma vantagem, mas também significa conviver com uma cobrança especial.“Por um lado, é legal porque ele consegue me dar algumas dicas em relação ao vôlei. Por outro, a cobrança é em dobro! Mas ele é muito parceiro. Quando tenho alguma dificuldade, ele me ajuda. Como não moro mais com ele e raramente estamos juntos, quando nos encontramos sempre conversamos muito sobre voleibol. É muito legal”, explicou.

E os sonhos do jovem mourãoense vão muito além do título conquistado. Arthur quer seguir evoluindo, disputar a Superliga A, chegar à Seleção Brasileira e, quem sabe, representar o país em grandes competições internacionais. “Quero manter a relação com a minha família como é hoje, que nada mude, e conseguir dar uma condição de vida ainda melhor para eles. Também quero ser profissional no voleibol, jogar a Superliga A e, se Deus quiser, chegar à Seleção Brasileira, disputar a VNL e as Olimpíadas. Acredito que esse seja o sonho de todo atleta, e comigo não é diferente”, afirmou.

Se para Arthur o título foi a recompensa por uma temporada de dedicação, para Joel a conquista teve um significado que vai além do resultado esportivo. Técnico de voleibol em Campo Mourão, ele conhece os desafios da modalidade, mas confessa que nunca imaginou que o filho chegaria tão longe. “Eu nunca pensei nisso, nunca tive como objetivo ver meu filho chegar a esse ponto. O que sempre pedi aos meus filhos foi que praticassem uma modalidade esportiva, aprendessem a nadar e dominassem o inglês. Para mim, o esporte é essencial para a socialização e ensina muitas coisas que nem a escola ou os próprios pais conseguem ensinar”, destacou.

A notícia de que Arthur havia se tornado campeão brasileiro pelo Cruzeiro foi uma surpresa acompanhada de muita felicidade. Joel conta que ver um filho realizado é uma emoção difícil de explicar. “Eu fiquei muito feliz. Se nossos filhos ficam felizes, nós ficamos duas vezes mais felizes do que eles. Foi muito gratificante vê-lo campeão por um clube considerado um dos melhores do Brasil, das Américas e do mundo. É uma satisfação muito grande”, afirmou.

Mais do que o troféu, o que emocionou o pai foi perceber o filho compreendendo o valor de tudo aquilo que construiu ao longo da temporada. Os treinamentos intensos, as cobranças, as dificuldades e a necessidade de manter o foco fizeram parte do caminho até a conquista. “Quando você vê seu filho vibrando, feliz, contente e entendendo o retorno de todo aquele empenho ao longo dos treinamentos, é algo indescritível. Isso nos deixa felizes e orgulhosos, porque ele está entendendo a importância de focar em alguma coisa, de ter disciplina e resiliência. Eles tiveram que desenvolver tudo isso durante uma preparação muito puxada”, ressaltou Joel.

A experiência de ser técnico da mesma modalidade que o filho pratica também exige equilíbrio. Joel procura respeitar o espaço de Arthur como atleta, evitando transformar a relação entre pai e filho em uma extensão das cobranças do esporte.“Eu fico muito orgulhoso e feliz por ele. Às vezes até brinco que ser técnico da modalidade que o filho pratica não é tão fácil, porque a gente conhece um pouco mais e acaba querendo dar alguns palpites. Mas não gosto de ficar interferindo. Quando ele pede, eu respondo; quando sentamos para conversar, comento alguma coisa. Procuro respeitar o espaço dele”, explicou. Com o olhar de treinador e o coração de pai, Joel também enxerga potencial no caminho que Arthur está construindo. Para ele, o futuro dependerá principalmente da vontade, do comprometimento e das escolhas do próprio atleta.

Talvez a parte mais especial dessa história esteja na maneira como Joel enxerga o futuro do filho. Mesmo trabalhando há anos com o voleibol, ele nunca estabeleceu como objetivo que Arthur se tornasse atleta profissional. Sua prioridade sempre foi oferecer oportunidades para que os filhos aprendessem, experimentassem e descobrissem os próprios caminhos.“Eu nunca tive um sonho específico para o meu filho. Acho que cada ser humano tem seus sonhos e objetivos. O máximo que posso fazer é apoiá-lo naquilo que ele quer e gosta. Se ele gosta de jogar voleibol, vai jogar voleibol. Quem decide o que quer para a própria vida é ele”, afirmou.

Joel também relembrou que houve momentos em que Arthur precisou refletir sobre o futuro e decidir se realmente queria seguir no esporte. Na ocasião, o pai preferiu apresentar os caminhos possíveis e deixar que o filho tomasse sua própria decisão.Para ele, sonhar pelos filhos pode acabar se transformando em uma cobrança excessiva, prejudicando uma relação que deve ser construída com confiança, respeito e liberdade.“Hoje, o que eu quero é que ele corra atrás daquilo que deseja e seja feliz, principalmente. Se for jogando voleibol, vou apoiá-lo. Se um dia entender que quer seguir outro caminho, também estarei ao lado dele. Não tenho um sonho específico para ele, a não ser que se dê bem na vida e seja feliz”, completou.

A história de Arthur Souza mostra que o esporte é capaz de unir gerações, transformar sonhos em objetivos e ensinar lições que acompanham os atletas por toda a vida. A conquista brasileira pelo Sada Cruzeiro representa um passo importante na carreira do jovem mourãoense, mas também simboliza a força de uma família que tem no voleibol uma paixão em comum. Com a mãe Kassiane também ligada à modalidade, Arthur cresceu em um ambiente onde o esporte faz parte da rotina. Ainda assim, sua trajetória é construída com as próprias escolhas, os desafios de quem busca espaço em um grande clube e a determinação de quem deseja chegar à elite do voleibol nacional.

Enquanto Arthur sonha em defender a Seleção Brasileira e disputar grandes competições, Joel celebra cada etapa sem impor destinos, oferecendo aquilo que considera mais importante: apoio, confiança e amor. No fim das contas, o título brasileiro tem um valor que vai muito além da medalha. É a celebração de um jovem que trabalha para realizar seus sonhos e de um pai que encontra na felicidade do filho a sua maior vitória.

Porque, no esporte e na vida, conquistar um título é especial. Mas compartilhar essa conquista com quem sempre esteve ao seu lado torna tudo ainda mais inesquecível.

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