Há conquistas que cabem em uma medalha. Outras, porém, carregam sentimentos, lembranças, superação e histórias que ficam para a vida toda. Foi exatamente isso que Juliana Palo Machado viveu na Maratona Internacional de Floripa Fibra 2026, realizada nos dias 29 e 30 de agosto.

Dentista, atleta e apaixonada pelo esporte, Juliana já conhece o sabor das conquistas. Na natação, colecionou medalhas e teve a oportunidade de representar Campo Mourão em importantes competições, como o Campeonato Brasileiro de Natação, em Campo Grande (MS), III Troféu Brasil, além de provas de águas abertas. Desta vez, o desafio foi diferente: encarar os 21 quilômetros da meia maratona de Florianópolis.
E não era uma prova qualquer. A Maratona Internacional de Florianópolis ocupa um lugar especial na história de Juliana. Foi justamente naquele percurso, cinco anos atrás, que ela disputou sua primeira meia maratona. Em 2021, o objetivo era simplesmente chegar ao final. Cinco anos depois, voltou muito mais experiente, madura e preparada, com uma nova meta: completar os 21 quilômetros em até duas horas. “21 km de Floripa… Que prova! A Maratona Internacional de Florianópolis tem um lugar especial no meu coração. Foi nela que fiz minha primeira meia maratona, cinco anos atrás. Em 2021, eu só tinha o objetivo de concluir a prova. Esse era o desafio. E cinco anos depois, eu me vi muito mais madura na corrida e com um objetivo claro: cruzar aquela linha de chegada em até duas horas”, contou.
A preparação foi consistente. Juliana cumpriu o ciclo de treinamentos com dedicação, sem perder sessões, enfrentando também pequenas lesões provocadas pela sobrecarga, especialmente no joelho e na panturrilha. Com o acompanhamento do fisioterapeuta, conseguiu se recuperar e chegar inteira para o grande desafio.

A largada aconteceu às 5h10 da manhã. E, antes mesmo de começar a correr, Juliana já estava tomada pela emoção.Ela chorou.Não por medo, mas por gratidão. Gratidão por estar novamente naquele lugar, em condições de correr os 21 quilômetros e, principalmente, por saber que sua família estaria esperando por ela na chegada.
Juliana começou forte. Logo nos primeiros quilômetros, mostrou que estava preparada e estabeleceu um novo recorde pessoal nos 10 quilômetros. As subidas leves do percurso não foram suficientes para tirar seu ritmo e, naquele momento, tudo parecia caminhar para a realização do objetivo de cruzar a linha de chegada abaixo das duas horas.
Mas uma meia maratona também ensina que nem tudo está sob nosso controle. Depois do quilômetro 14, Juliana começou a enfrentar problemas físicos. Acredita que um gel utilizado durante a prova não lhe fez bem. Vieram a ânsia de vômito e a cólica intestinal, transformando os quilômetros seguintes em um verdadeiro teste de resistência.
Ela passou a correr com muita dificuldade.E percebeu que a meta estabelecida para o relógio já não seria alcançada.Foi então que surgiu uma decisão muito maior do que qualquer marca de tempo: parar ou continuar.Juliana escolheu continuar.”Naquele momento, o tempo da prova já não era minha prioridade. Era conseguir concluir e abraçar meus filhos na linha de chegada”, revelou.
Depois do quilômetro 19, o corpo voltou a responder. Juliana conseguiu recuperar o ritmo e, finalmente, cruzou o pórtico.Os 21 quilômetros estavam concluídos.E vieram novamente as lágrimas.
Dessa vez, o choro tinha outro significado.Era o choro de quem havia vencido o próprio desafio. De quem havia enfrentado um momento difícil e escolhido persistir. De quem, mesmo sem alcançar o tempo planejado, descobriu que havia conquistado algo ainda maior.”Chorei de novo! Chorei pelo desafio cumprido. Chorei por ter condições de correr aquela distância. Chorei por ver as pessoas que eu amo se inspirarem naquela força, que às vezes até eu duvido que tenho. Meu marido e meus filhos estavam ali, na beira do pórtico. Comemoramos!”, relatou.
Ao lado dela estavam o marido, Hioanys, e os filhos, que acompanharam de perto aquele momento especial.E a história da família não terminou ali.No dia seguinte, Hioanys e os meninos também correram. Cada um fez sua própria prova. Todos concluíram.No fim da experiência, a família voltou para casa com cinco medalhas e, principalmente, com uma lembrança que vai muito além do esporte.

Para Juliana, ver os três filhos vivendo aquela experiência foi um dos maiores presentes proporcionados pela competição.”Eles sentiram toda a preparação do dia anterior, o frio na barriga da largada, a força na hora da prova, a vibração da torcida e a maior emoção de cruzar por baixo daquele pórtico e colocar a medalha no peito”, destacou.
A experiência em Florianópolis também fez Juliana olhar para a própria trajetória e perceber o impacto que o esporte tem dentro da família.Mais do que ensinar disciplina e determinação, ela percebeu que seus filhos estão aprendendo através do exemplo.Essa prova me mostrou, ainda mais, o quanto o esporte vale a pena e o quanto o meu exemplo influenciou na minha casa”, afirmou.
Para Juliana, o esporte ocupa um espaço que vai muito além da competição. É também um momento de equilíbrio, reflexão e reconexão.”É nos treinos que busco minha calma em meio à correria do dia a dia. É nos treinos que busco me reconectar comigo, com a minha essência. É onde coloco os pensamentos no lugar e reabasteço minha energia”, explicou.
E se existe uma característica marcante na trajetória de Juliana é a capacidade de transformar cada chegada em um novo ponto de partida.Depois dos 21 quilômetros de Florianópolis, o próximo desafio será novamente nos 21 km, desta vez na Maratona Internacional de Maringá, em novembro.
Mas existe um sonho ainda maior começando a ganhar espaço nos pensamentos da atleta: disputar um meio Ironman 70.3 em 2027.”Concluir um Ironman 70.3 tem mexido comigo. Para isso, preciso de planejamento, preparação e acompanhamento. Acho que esse é o próximo grande desafio”, revelou.
Talvez seja justamente essa a essência de Juliana Palo Machado.Uma atleta que não se define apenas pelas medalhas, pelos tempos ou pelas provas concluídas. Uma mulher que encontrou no esporte uma forma de cuidar do corpo, fortalecer a mente, inspirar as pessoas e descobrir, a cada novo desafio, que ainda pode ir além.
Em Florianópolis, ela aprendeu que superar nem sempre significa vencer o relógio. Às vezes, superar é ressignificar o objetivo no meio do caminho, encontrar forças quando elas parecem ter acabado e simplesmente continuar.Porque, para Juliana, cada linha de chegada não representa o fim.Representa o começo de um novo sonho.














