Mais um apaixonado torcedor do Mengão vem em uma resenha no quadro Time do Coração contar o seu amor pelo rubro negro carioca. Uma das grandes referencias nas imagens, como cinegrafistas, edição empresário Irineu Ricardo deixou um tempinho reservado do seu trabalho pra falar da emoção em torcer para o Flamengo. Mais uma super resenha que o nosso site traz para os amantes do futebol.

E o amor pelo flamengo aconteceu diferente de todas as outras que já passaram pelo resenha. “Comecei a torcer pelo Flamengo de um jeito que muita gente nem imagina: pela linguagem audiovisual. No início dos anos 70, meu pai me levava ao cinema. Antes das sessões, era exibido o lendário Canal 100, um espetáculo de imagens do Campeonato Brasileiro e dos estaduais. Imagine aquilo em tela de cinema, com som estridente, emoção à flor da pele. Foi ali que vi Fio Maravilha marcar um gol de placa. Aquela cena ficou gravada para sempre. . “Pouco tempo depois, chegou nossa primeira TV, preto e branco. Naquela época, a Rede Paranaense de TV transmitia basicamente o Campeonato Carioca. Não demorou para um time chamar minha atenção e meu coração.
Acompanhando o pai no estádio uma camisa rubro negra chamou a atenção e encantou Irineu Ricardo. “Meu pai era funcionário do 13º D.E.R. e gostava de acompanhar os jogos no Estádio Roberto Brzezinski, sempre atrás do gol, na função de gandula. O time usava um uniforme rubro-negro, muito parecido com o do Flamengo, e aquilo me encantava. Mais tarde descobri que o engenheiro-chefe, Dr. Aramis, era atleticano e até hoje nunca entendi totalmente aquela coincidência. Foi nesse caminho, entre o cinema, a TV em preto e branco, o estádio e a emoção das imagens, que percebi: ali nascia, de vez, a minha paixão pelo Flamengo”.

Na oportunidade Irineu Ricardo fala da inspiração e ídolo rubro negro. “ A grande inspiração no Flamengo não foi apenas um jogador ou um título, mas a forma como o Flamengo se apresentou ao seu olhar pela primeira vez. Idolo sempre foi o Zico porque ele reunia tudo aquilo que primeiro te encantou no Flamengo:talento, estética, inteligência e emoção. Zico não era só vencedor, ele jogava bonito, pensava o jogo, transformava cada toque na bola em narrativa. Era o futebol que parecia cinema, exatamente como aquelas imagens do Canal 100 que te marcaram.A admiração por Adílio vem da mesma raiz: a elegância no meio-campo, a leitura de jogo, o passe preciso, o atleta que fazia o coletivo funcionar sem precisar de holofotes constantes. Futebol com conteúdo. Já Andrade representa a outra face que te conquistou: a raça silenciosa, a seriedade, o compromisso. O jogador que não precisava aparecer, mas estava sempre ali, sustentando o time, dando equilíbrio e segurança, dentro e fora de campo.
O gol de Gabigol na final da Libertadores sempre ficará na memoria de todos os flamenguistas e de Irineu Ricardo não vai ser diferente. “Não foi só um gol, foi um instante eterno. Aos 43 do segundo tempo, quando o tempo parecia escapar, ele apareceu onde sempre esteve: no lugar certo, com frieza, personalidade e alma rubro-negra.Naquele toque rápido, virou história. Virou redenção, explosão, catarse. Um gol que condensou sofrimento, fé e glória em poucos segundos. Para o flamenguista, foi mais que um título: foi a prova de que o jogo só acaba quando o Flamengo decide vencer.
Irineu Ricardo lembra da maior alegria e decepção com o Flamengo. “Alegria ver o Flamengo campeão da Libertadores de 2019, com aquele gol do Gabigol no fim, foi viver a emoção no estado mais puro. Um instante em que o coração dispara, o tempo para e a memória se fixa para sempre. Foi a confirmação de uma paixão construída desde a infância, do cinema ao estádio, da TV preto e branco aos grandes palcos da América. Uma alegria que não se explica, se sente”.

O nosso convidado faz uma analise do Flamengo nos últimos anos. “O Flamengo viveu, nos últimos anos, um dos períodos mais vitoriosos e intensos de sua história. A partir de 2019, o clube entrou definitivamente em um novo patamar no futebol sul-americano. No aspecto esportivo, os resultados falam por si: Libertadores, Campeonatos Brasileiros, Copas do Brasil, Supercopas e títulos estaduais. O time voltou a ser protagonista, temido e respeitado, com elencos fortes e presença constante nas decisões. Momentos como 2019 e 2022 marcaram gerações e reforçaram a identidade vencedora do clube.No campo institucional e financeiro, o Flamengo se estruturou como potência. Melhorou receitas, profissionalizou setores e passou a investir pesado em elenco, infraestrutura e base. Isso garantiu competitividade contínua, algo raro no futebol brasileiro. Por outro lado, houve oscilações. Trocas frequentes de treinadores, decisões questionáveis fora de campo e alguns desempenhos abaixo do esperado geraram frustrações, especialmente quando o time parecia ter condições de render mais. Em certos momentos, faltou estabilidade e continuidade de projeto. Ainda assim, o balanço é muito positivo. O Flamengo deixou de ser apenas um clube popular e voltou a ser, de forma consistente, um clube vencedor, que entra em qualquer competição com obrigação de disputar o título”.
O titulo do mundial de 1981 foi inesquecível para Irineu Ricardo. “Não foi apenas uma conquista. Foi a consagração definitiva de uma geração e a prova de que o futebol brasileiro podia encantar e dominar o mundo jogando com inteligência, técnica e personalidade. Diante do poderoso Liverpool, campeão europeu, o Flamengo entrou em campo sem medo, com respeito, mas sem submissão. Em poucos minutos, o time mostrou ao planeta o que era aquele futebol: toque de bola envolvente, movimentação perfeita e confiança absoluta. Zico comandou como maestro, Nunes marcou duas vezes, Adílio e Andrade foram gigantes no meio-campo, e o placar de 3 a 0 virou aula.Aquela manhã em Tóquio ficou eternizada. Não foi sofrimento, foi imposição. O Flamengo não venceu por acaso, venceu porque foi melhor do começo ao fim.Para o torcedor, o Mundial de 81 representa o auge: o Flamengo no topo do mundo, jogando bonito, respeitado internacionalmente e carregando no peito a certeza de que aquele time era histórico. Um título que não envelhece, não se discute e não se esquece.É memória, é orgulho, é eternidade rubro-negra.
Irineu fala que não tem amigos torcedores de times rivais que incomodam. “Hoje eu não tenho.O tempo me ensinou a ver o futebol como paixão e diversão, não como motivo de rivalidade pesada. Já vivi provocações, debates acalorados e zoações — tudo faz parte do jogo, mas nada que realmente incomode.Hoje, acima de tudo, eu respeito. Respeito a história dos clubes, a paixão dos outros torcedores e o futebol como espetáculo. A rivalidade existe, claro, mas fica dentro de campo, no bom humor e na conversa.No fim das contas, torcer é isso: sentir, vibrar e se emocionar, sem perder a leveza que faz do futebol uma das maiores paixões do mundo.

Durante a resenha ele cita que o maior adversário do Flamengo é o próprio Flamengo. Porque, na maioria das vezes, o maior adversário do Flamengo não está do outro lado do campo, mas dentro do próprio clube. Quando o Flamengo perde foco, subestima o jogo, se desorganiza ou deixa a vaidade e a instabilidade falarem mais alto, ele se complica. Não é falta de camisa, elenco ou torcida — é falta de continuidade, concentração e leitura do momento. Muitas derrotas recentes não vieram porque o rival foi melhor, mas porque o Flamengo se desconectou do seu próprio padrão, jogou abaixo do que pode, abriu mão da intensidade e do coletivo que sempre fizeram sua força. O Flamengo, quando é Flamengo, compete com qualquer um e se impõe. Quando deixa de ser, se vence sozinho, no sentido negativo. Por isso, a principal dificuldade do Flamengo, muitas vezes, é manter a própria identidade do início ao fim.
Apaixonado pelo Flamengo Irineu Ricardo fala de não te acompanhado o time do coração no estádio. “Nunca assisti a um jogo no estádio. Sempre vivi o futebol de outra forma: em casa, no conforto do meu sofá, com alguma bebida, alguns petiscos e atenção total ao jogo. Para mim, esse é o ritual perfeito. É onde consigo observar cada detalhe, cada movimento, cada emoção, sem pressa, sem distração. O futebol sempre chegou até mim pela imagem, pelo som, pela narrativa… e assim continua até hoje”.
O encontro com o grande ídolo aconteceu em 1998 em Campo Mourão. “ A cidade viveu um momento especial com a inauguração do Centro de Futebol Zico. Como era de se esperar, a maioria das pessoas se aglomerava em torno do Galinho, o grande ídolo, o centro das atenções. Em meio àquele movimento, olhei para o lado e tive uma surpresa inesquecível: Adílio e Andrade estavam ali, juntos, quase discretos. Pouca gente percebeu. Enquanto muitos disputavam um espaço perto do Zico, eu tive o privilégio de estar diante de três ídolos do Flamengo ao mesmo tempo. Foi um daqueles instantes silenciosos, mas marcantes. Não houve holofote, nem multidão ao redor, apenas a certeza de estar frente a frente com personagens que ajudaram a construir a história do clube que eu aprendi a amar desde a infância.Um encontro simples, mas carregado de significado. Uma memória que o tempo não apaga.
No final da resenha Irineu Ricardo montou a Seleção dos melhores jogadores do Flamengo (todos os tempos)
🧤 Goleiro
1 – Raul Plassmann
🛡️ Defesa
2 – Leandro (Lateral-direito)
3 – Domingos da Guia (Zagueiro)
4 – Júnior Baiano (Zagueiro)
6 – Júnior (Lateral-esquerdo)
⚙️ Meio-campo
5 – Andrade (Volante)
10 – Zico (Meia)
14 – Arrascaeta (Meia)
⚡ Ataque
7 – Adílio (Ponta / meia ofensivo)
9 – Gabigol (Centroavante)
11 – Romário (Atacante)
🏆 Técnico – Paulo César Carpegiani












